GeoIA: Startup da UFMS ganha destaque nacional com tecnologia que revoluciona o agronegócio

Postado por: Maria Clara Maranhão Franco

A Agtech GeoIA virou notícia no Globo Rural e na PwC por utilizar Inteligência Artificial para reduzir o uso de defensivos em mais de 80%.

Campo Grande (MS), 15 de maio de 2026.

Os empreendimentos nascidos dentro da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) vêm se destacando e ganhando forma no cenário do ecossistema de inovação nacional. Um desses destaques é a GeoIA, startup fundada a partir das pesquisas do Laboratório de Geomática e Inteligência Artificial, liderada pelo CEO Pedro Cavalcante e pelo CRO Caio Reina. A iniciativa nasceu da necessidade de transformar uma robusta base científica com

 mais de 120 artigos publicados em soluções tecnológicas capazes de resolver gargalos reais no campo.

​A consolidação da GeoIA como um player relevante no mercado ocorreu após três anos de vinculação ao HUB PIME (Pantanal Inovação e Modelagem Empreendedora). Durante esse período, a startup redirecionou sua expertise em deep learning para a otimização da pulverização agrícola, focando em superar o desperdício de insumos. “Nossa arquitetura foi desenvolvida especificamente para cenários complexos do agro, combinando precisão técnica e velocidade operacional”, explica Pedro Cavalcante.

​Um dos diferenciais da GeoIA é a eficiência de sua tecnologia de mapeamento, que utiliza drones e inteligência artificial para identificar falhas e plantas daninhas com precisão cirúrgica. Atualmente, a frente de atuação da empresa entrega resultados expressivos no setor sucroenergético e de grãos:
​Pulverização Inteligente: Utiliza imagens de alta resolução para gerar mapas de aplicação localizada, integrados diretamente às máquinas.
​Sustentabilidade Econômica: A solução permite uma redução superior a 82% no uso de defensivos químicos, aliando o cuidado ambiental à alta performance financeira para o produtor.
​Para os fundadores, o segredo do sucesso está na transição segura do ambiente acadêmico para a operação industrial. “Na soja, por exemplo, o ciclo produtivo é de cerca de 120 dias, e a resposta precisa ser rápida”, afirma o CEO, destacando que a agilidade comercial deve caminhar junto com o rigor científico.
​O suporte da UFMS e da Agência de Inovação (Aginova), por meio do HUB PIME, é apontado como crucial para o escalonamento do negócio. Segundo os diretores, a universidade ofereceu o suporte necessário em capacitação e modelagem de negócios, permitindo que a startup validasse sua ferramenta em projetos iniciais de 60 mil hectares antes de ganhar o mercado brasileiro.
​Os resultados

 são expressivos: a GeoIA já processou mais de 2 milhões de hectares na safra 2024/25 e atende hoje 7 dos 10 maiores grupos sucroenergéticos do Brasil. O reconhecimento atravessou os muros da universidade e ganhou manchetes no Globo Rural e no portal da PwC Brasil, consolidando a startup como uma referência em Agtech. Além do sucesso comercial, a trajetória da empresa atua como inspiração para novos pesquisadores, validando a conexão das pesquisas de Geomática com as demandas do agronegócio global.

​Atualmente, a GeoIA segue expandindo suas operações para a área de grãos, reforçando o movimento de que a união entre ciência aplicada e inovação tecnológica é o caminho mais curto para o desenvolvimento econômico e sustentável do país.
Agtech (Agrotech): Termo criado a partir da junção das palavras em inglês Agriculture (Agricultura) e Technology (Tecnologia). Refere-se a empresas, na sua maioria startups, que desenvolvem e aplicam inovações tecnológicas — como inteligência artificial, drones, sensores e softwares de gestão — para aumentar a eficiência, a produtividade e a sustentabilidade no agronegócio.
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Deep learning (aprendizado profundo): É uma técnica avançada de Inteligência Artificial que ensina os computadores a aprenderem por meio de exemplos. A tecnologia simula as redes de neurônios do cérebro humano para analisar grandes volumes de dados, reconhecer padrões e tomar decisões complexas.
Startup: Uma empresa emergente e em fase de desenvolvimento que busca resolver um problema de forma inovadora. Geralmente, possui uma forte base tecnológica e um modelo de negócios escalável (capaz de crescer rapidamente sem que os custos aumentem na mesma proporção).
CRO (Chief Revenue Officer / Diretor de Receita): Executivo responsável por gerenciar, integrar e alinhar todas as áreas que geram lucro para a empresa, como vendas, marketing e sucesso do cliente.
CEO (Chief Executive Officer / Diretor Executivo): É o cargo mais alto na hierarquia corporativa. O CEO é o principal responsável pela visão global, pelas decisões estratégicas e por guiar a direção da empresa rumo aos seus objetivos.